O que é o manguito rotador
São quatro tendões que envolvem a cabeça do úmero como um punho fechado: supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular. Eles mantêm o ombro centrado enquanto o braço sobe, gira e carrega peso. Quando um deles inflama ou rompe, o ombro perde parte desse controle e dói.
O supraespinal é o mais atingido. Ele passa num espaço estreito, embaixo do acrômio, e sofre atrito a cada vez que o braço sobe acima da linha do ombro.
Por que o tendão rompe
Na maioria das pessoas acima dos 50 anos, a lesão vem do desgaste. O tendão vai afinando com o tempo e um dia cede, às vezes sem nenhum trauma marcante. Em pessoas mais jovens, a história costuma ser outra: uma queda com o braço esticado, um esforço brusco para segurar peso, um tranco no esporte.
Trabalho repetitivo com os braços elevados (pintores, eletricistas, quem faz reposição de prateleira) e o tabagismo também pesam contra o tendão.
Sintomas da lesão do manguito rotador
- Dor na lateral do braço, mais do que no ombro em si
- Dor no ombro à noite, que acorda a pessoa ou impede de deitar do lado afetado
- Dificuldade para levantar o braço, pentear o cabelo ou alcançar o bolso de trás
- Fraqueza para segurar objetos longe do corpo
- Estalos ao movimentar, em alguns casos
Quando a fraqueza aparece de repente depois de uma queda, a avaliação deve ser rápida. Lesões traumáticas em pacientes ativos têm melhor resultado quando tratadas cedo.
Como é feito o diagnóstico
A consulta começa pela história e pelo exame físico. Existem testes específicos para cada tendão, e eles dizem muito sobre força e dor. O ultrassom e a ressonância magnética confirmam o tamanho da lesão e o estado do músculo.
Um detalhe que surpreende muitos pacientes: o laudo da ressonância sozinho não define o tratamento. Muita gente tem rotura parcial no exame e nenhuma queixa. O que decide é a combinação entre imagem, sintomas, idade e rotina.
Tratamento sem cirurgia
Boa parte dos pacientes melhora sem operar, principalmente nas lesões parciais e degenerativas. O tratamento clínico inclui:
- Fisioterapia com foco em fortalecer os tendões que restam e os músculos da escápula
- Analgésicos e anti-inflamatórios por períodos curtos
- Infiltração, em casos selecionados, para controlar a dor e permitir a reabilitação
- Ajuste temporário de atividades que provocam dor, como treino de ombro na academia
O tendão rompido não volta a colar sozinho no osso. Mesmo assim, o ombro pode recuperar função e ficar sem dor, porque os outros músculos aprendem a compensar.
Quando a cirurgia do manguito rotador é indicada
A cirurgia entra na conversa quando a lesão é traumática em paciente ativo, quando a rotura é completa e há fraqueza, quando o exame mostra a lesão aumentando, ou quando meses de tratamento clínico bem feito não resolveram.
Hoje a maior parte dos reparos é feita por artroscopia. São pequenas incisões por onde passam uma câmera e os instrumentos, e o tendão é preso de volta ao osso com âncoras. O pós-operatório pede paciência: tipoia nas primeiras semanas e fisioterapia por alguns meses. A volta a esforços e esportes costuma levar de quatro a seis meses, às vezes mais.
Quando procurar um ortopedista de ombro
Dor que dura mais de três ou quatro semanas, dor que acorda à noite e perda de força merecem avaliação. Quanto antes se entende a lesão, mais opções de tratamento ficam na mesa.